17 maio 2016

OCDAP/MEC

No encontro do Arcebispo D. José com o grupo dos Orientadores das Celebrações Dominicais na Ausência do Presbítero e dos Ministros Extraordinários da Comunhão, foi-nos solicitado que referíssemos o que fazemos, há quanto tempo, e o que é para nós.
Alguma coisa neste género.
Ao fim de algum tempo a pensar do que haveria de dizer – felizmente tive algum tempo para passar um pouco pela minha história de há 7 anos e meio a esta parte – lá me decidi falar do início dos inícios.
A minha primeira resposta ao Padre Manel Zé foi “Não” porque não gostava de estar em público, não sabia, não conseguia falar. Entretanto, fiquei a moer na situação e acabei por lhe ir dizer que ia tentar uma única vez para ver se conseguia e se corria bem.
Mas o meu nome foi colocado na listagem do início ao fim do ano.
E lá fui eu… Coincidindo nesse ano, eu estava a fazer preparação para partir em Missão. No fim do ano, no campo missionário, mesmo na última etapa a Freira disse-me que não me iriam deixar partir em missão, o que me pareceu muito mal.
À saída do Assumar, sítio onde estava a fazer aquele tempo de Missão, a freira mais velhinha da casa, sem saber do que me tinha sido dito, já mesmo à porta disse-me “Ai… vocês jovens vão para tão longe fazer missão quando aqui tão perto há tanto para fazer”.
Foi o aceitar que não podia partir, e que a minha missão seria continuar aqui.
É assim que tenho encarado esta missão, com a ajuda do Espírito Santo, e com a certeza que Ele actua a todo o momento em mim.
Dei Graças a Deus de ter persistido à minha ideia que enquanto cá estivesse tinha de cumprir missão na Unidade Pastoral, porque era aqui que estava.
Foi mais ou menos isto que eu disse naquele encontro. Queria ainda ter referido que a 1ª vez que fui à Barrada encarei com a Lígia – deficiente mental – que era com pessoas assim que eu estava a trabalhar para partir em missão, não o disse porque me emocionei, porque já estava a prolongar, porque já me estava a baralhar. Queria ter dito muito mais.
À noite durante a insónia veio-me muito mais imagens à cabeça do que tem sido para mim Orientar celebrações e ser MEC.
Lembrei-me do tempo que tive com a D. Cândida nas semanas que lhe fui levar a comunhão, das partilhas que tivemos. De ter percebido que podemos ser Igreja sem estarmos na igreja.
Lembrei-me da lição que a D. Rita me deu no 1º domingo que lhe fui levar a comunhão, e que me contava a sua estadia no hospital, e que me dizia “Eu soube sempre esperar! É preciso saber esperar!” 
Passado pouco tempo tive a situação de doença da minha mãe, e a paz e a serenidade da D. Rita acompanhou-me durante os dias mais complicados. E também eu soube esperar.
Lembrei-me, ainda, as vezes que levo o Santíssimo para os Acampamentos, e o quão importante este hábito já é para os miúdos. Essa importância percebe-se quando um deles num acampamento Regional – fora do ambiente de acampamento de agrupamento – pergunta “vamos ter aqui o Jesus?”, porque a minha tenda é igual à tenda onde se costuma colocar o Santíssimo nos acampamentos de agrupamento. E assim percebe-se que aquele momento que eu levo Jesus com toda a pompa e circunstância na minha humildade, na minha insignificância, no meu pecado, que muitas vezes nem sei bem o que dizer e/ou o que cantar, que não sei bem se hei-de colocar Jesus directamente na tenda ou ficar com Jesus ali nas mãos para que esteja em ponto mais alto e mais visível durante uns instantes. Que esse momento é importante para todos desde o mais novo ao mais velho. Que aquele momento em que vimos ir 2/3, uma patrulha ou até mesmo uma secção inteira por autonomia própria sem a imposição de um dirigente, serve para criar laços, relação e amizade com Jesus Eucarístico!
Já vai longo, mas realmente é de uma riqueza imensa, assumi tamanha responsabilidade de levar aos outros a Palavra de Deus e Jesus na comunhão.
E ainda mais responsabilidade se torna por eu não ser nada e do pó ter nascido.

Era-me necessário escrever tudo isto e partilhá-lo com algumas pessoas especiais!

1 comentário:

Rosa disse...

Erute
Maravilhoso,amei tudo o que disse e que o Espírito santo sempre a Ilumine com Seus Dons,beijinho.